quinta-feira, 7 de junho de 2012

alta tensão

Há estradas em meu corpo

Marcas de ultrapassagens, 


freadas bruscas


Há escadas em meu corpo


Degraus em manutenção,


pela alta tensão de


buscas desenfreadas

Esquecer e perdoar


Desapegar e escolher
A leveza da inconsequência
Não se dá conta da confluência
Dos esquecimentos guardados
Em baús semiabertos
Dos ressentimentos encharcados
Que dormem nos frios desertos.
O quê queremos esquecer?
O quê precisamos perdoar?
Quantas emoções tentamos negar?
Pra quê ir embora
Se o quê desejamos é ficar?
A minha insônia é benfazeja!
Não quero a dor esconder!
Verdade deslavada.
Não há nada pra resolver.
Voz que não quer calar.
A janela da alma escancarada
Se é pra ser
Que assim seja!

Rio, 06 de junho de 2012.
Nathalia Leão Garcia

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mais nada



Uma pilastra, dois olhos e um olhar
O êxtase esperando o anoitecer
Uma mesa, duas cadeiras e um bar
Como poderia desacontecer?

A conta paga, passos lentos para não chegar
Propaga a mente uma penca de pensamentos desatinados
Fome não digerida, despedida sugerida para poder ficar
A noite, a lua, os carros e os corpos embaralhados

A pilastra nua é só concreto
Aquela fome que eu sentia foi saciada
Felicidade não acontece por decreto
Noites, luas, carros, corpos...e mais nada

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Diariamente

Amor é palavra que salta do dicionário, é exercício diário
Tem iniciativa, é irreverente, gosta de bichos e gosta de gente
Não usa passaporte e nem é preciso porte de amor, pois amor não mata
Amor não é de morte nem questão de sorte
É de vida e não se paga dívida com amor
Amor acontece, tece sem criar teia
Amor é o melhor remédio, ele incendeia o tédio
Amor não se esquece, amor aquece e gera o mais fascinante calor

Vamos?


Conforto em demasia deixa o ânimo torto, com azia.
É tão bom lavar a camisa de suor para perceber que
que não é depois de passada que ela fica bem melhor.
A casa não deve ter cômodos em excesso. Acomodação demais
incomoda. Saudável o brotar do desejo de ganhar as ruas, exibindo vontades
completamente nuas, para então vesti-las de satisfação.
Presença reiterada amassa a saudade, até que não fique mais nada.
Certezas onipresentes calam o movimento, apagam o vento, estacionam a vida.
Verdades disparadas qual torpedos entorpecem o diálogo, são catálogos sem 
endereços nem apreço.
Tsunami verbal congestiona a audição, inibe a troca, torna todas as palavras iguais.
Proteção desmedida afugenta a ousadia, multiplica e agiganta os perigos.
Almas assépticas ficam caretas, amorfas, plastificadas. Que elas brinquem nos
temporais de surpresas, para que não sejam presas  fáceis para os predadores de
plantão.
Vamos então?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A fenda

Não me entenda,
sou fenda na razão
Não me aprenda,
sou livro sem lição
Não me prenda,
sou livre como todos são!

A normalidade

O que seriam pessoais normais?
Aquelas que chegam, vão e não voltam mais?
Que perguntam como vamos e não esperam a resposta?
As que dizem que romantismo não passa de uma bosta?

O que seria normalidade?
Apaixonar, sem amar, esquecendo rapidamente a saudade?
Acreditar que tem mil amizades, quase todas virtuais?
Se for assim mesmo, vinde a mim as anormais.