Conforto em demasia deixa o ânimo torto, com azia.
É tão bom lavar a camisa de suor para perceber que
que não é depois de passada que ela fica bem melhor.
A casa não deve ter cômodos em excesso. Acomodação demais
incomoda. Saudável o brotar do desejo de ganhar as ruas, exibindo vontades
completamente nuas, para então vesti-las de satisfação.
Presença reiterada amassa a saudade, até que não fique mais nada.
Certezas onipresentes calam o movimento, apagam o vento, estacionam a vida.
Verdades disparadas qual torpedos entorpecem o diálogo, são catálogos sem
endereços nem apreço.
Tsunami verbal congestiona a audição, inibe a troca, torna todas as palavras iguais.
Proteção desmedida afugenta a ousadia, multiplica e agiganta os perigos.
Almas assépticas ficam caretas, amorfas, plastificadas. Que elas brinquem nos
temporais de surpresas, para que não sejam presas fáceis para os predadores de
plantão.
Vamos então?