domingo, 15 de janeiro de 2017

Antes do depois

Se os ponteiros do relógio, de uma hora para a outra, trafegassem no sentido anti-horário, o que seria de mim? 
Uma palavra presa no dicionário, temendo mais o começo do que o fim.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Farpas e harpas

Muito cuidado com os enfarpelados.
Eles soltam farpas e jamais tocarão harpas.
Cuidem muito dos destroçados.
Eles não são troços e possuem almas, 
mesmo que sobressaiam os ossos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Etiquetas

Consumamos, mais e mais. Já que não amamos, para que pecados veniais? Consumamos, por humanos que somos. Até pelo receio de sumirmos, quando nada compramos. Cada um vale pelo muito que tem a exibir. A os(tentação) tornou-se a única medida aceita no mercado, digo, mundo. A singular moeda de troca. Trocamos todas as coisas que acumulamos. E o cúmulo: permutamos inclusive o
que não é coisa. Sintoma de que coisificamos sentimentos e, claro, pessoas. Colemos, de uma vez, etiquetas em testas. Há quem diga, assegure, que tudo e todos têm preço. 
Quem ousar discordar, que se segure. 
Dos demais, simplesmente me despeço.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Sinto

Muitos sentem-se excluídos.
Alguns sentam-se na exclusão.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O medo do medo

Que texto inspirador o "Congresso Internacional do Medo" , de Drummond.
Pois bem! Vivemos a era dos medos. Medo das esperas, das peras e maçãs 
envenenadas. Medo da massa. Medo do nada.
Medo da esquerda. Medo de merda. Que está por toda parte, subjugando a arte.
Temos medo do mal. Temos medo do bem sem rótulo.
Trememos diante do conhecido e do desconhecido.
Medo de que nos levem algo. 

Mas onde está o medo de que nos transformemos em algo?
Medo do fim. Medo dos meios. Medo até dos princípios - e se eles mergulharem em precipícios?
Céus! E se desenvolvermos o medo do recesso dos receios?
Nesse louco panorama, não me surpreendo com os sintomas locais.
Mas confesso meu imenso medo das soluções universais!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Saudade adjetiva

Saudade é mais que um sentimento, é uma poesia recitada todos os dias e, ainda assim, sempre é ouvida com algo diferente. Saudade é isso: um infinito de repente!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Parece, mas não é

Arbitragem não combina com arbitrariedade
Política é diferente de politicagem
Saci não tem nada a ver com saciedade
Beleza é muito, mas muito mais do que imagem