quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Sinto

Muitos sentem-se excluídos.
Alguns sentam-se na exclusão.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O medo do medo

Que texto inspirador o "Congresso Internacional do Medo" , de Drummond.
Pois bem! Vivemos a era dos medos. Medo das esperas, das peras e maçãs 
envenenadas. Medo da massa. Medo do nada.
Medo da esquerda. Medo de merda. Que está por toda parte, subjugando a arte.
Temos medo do mal. Temos medo do bem sem rótulo.
Trememos diante do conhecido e do desconhecido.
Medo de que nos levem algo. 

Mas onde está o medo de que nos transformemos em algo?
Medo do fim. Medo dos meios. Medo até dos princípios - e se eles mergulharem em precipícios?
Céus! E se desenvolvermos o medo do recesso dos receios?
Nesse louco panorama, não me surpreendo com os sintomas locais.
Mas confesso meu imenso medo das soluções universais!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Saudade adjetiva

Saudade é mais que um sentimento, é uma poesia recitada todos os dias e, ainda assim, sempre é ouvida com algo diferente. Saudade é isso: um infinito de repente!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Parece, mas não é

Arbitragem não combina com arbitrariedade
Política é diferente de politicagem
Saci não tem nada a ver com saciedade
Beleza é muito, mas muito mais do que imagem

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Aos encontros!

Mil vivas aos encontros fortes, apesar de tantos desencontros fortuitos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Pecado e virtude

Nossa, que pessoa impecável! 
A casa dela é perfeita! 
Aquele time é imbatível, todo certinho!
Frases como essas causam-me comichão. Palavras da mesma tribo de impecável, perfeita e certinho provocam-me engulhos.
Ninguém é impecável. Todos pecam. E se não o fizessem, certamente, seriam muitíssimo chatos.
Uma casa perfeita remete-me à ausência de aconchego, naturalidade. Casas gostosas preservam o movimento das pessoas e coisas que a integram.
O time imbatível assim o é até que outro o supere. Além disso, desejo que meu time fuja das fórmulas matemáticas, afaste-se da previsibilidade, nutra-se de improviso e intuição irreverentes.
Pessoas, moradias, grupos sociais serão tão mais interessantes quanto apostarem na flexibilidade, acariciarem as circunstâncias e compreenderem os idiomas dos ventos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Sem açúcar e com afeto

Nos anos 80, alternativos falavam em alimentos naturais, orgânicos, sem agrotóxicos. Aqueles seres estranhos curtiam meditação, afastavam-se de refrigerantes e de tudo que continha açúcar refinado. E olha que não era fácil rejeitar uma Coca-Cola, um milk-shake, um cachorro-quente, com bastante molho, mas tanto que transbordava da embalagem e pousava na mão da gente.
Somos o que comemos, diziam os bichos-grilos de então.
Mas essa filosofia de vida restringia-se aos macrobióticos, aos hippies, às tribos remotas que ainda acreditavam em paz e amor. Chegou o século 21, com a tecnologia no colo, inclusive a que facilita o acesso às informações, democratizando-as. Com um pouco de paciência e bom senso, consegue-se separar o joio do trigo. O que me intriga é a teimosia de muitos de nós, ao insistirmos nos velhos vícios alimentares, no consumismo alienado, entorpecidos pela propaganda e pela praga da Maria que vai com as outras. Somos o que ingerimos com a boca e com a mente.
Carboidratos secundários (açúcar refinado como grande vedete da companhia), farinhas (inclusive a integral), legumes, verduras e frutas não orgânicas são predadores temíveis. E eles têm amigos fiéis (a eles): o estresse continuado, a ansiedade crônica, o catastrofismo mental, que produz crenças fragilizadoras, capazes de nos desestabilizar e adoecer. O que envelhece não é a coleção de primaveras, mas a degeneração, traduzida em patologias físicas e mentais. Precisamos despertar o quanto antes, rever nossos conceitos de bom, gostoso e saudável. Para quem admira a arte da culinária, há pratos saborosíssimos, que acariciam nossa homeostase. É fácil romper com dependências, com hábitos de décadas? Certamente, não. Mas vale a pena.
A exemplo de tudo nesta vida, mera questão de escolha.
Que vida queremos viver?
Que tal colocarmos a nossa assinatura em nossas existências?