quarta-feira, 24 de novembro de 2010

redundante

Não sei se foi ontem demais
Ainda sinto o aroma nas mãos
Não estou certo se serei capaz
de catar todos os grãos

Palavras caíram do colo,
mergulhando em desamparo total
Se mentes surgiram no solo
Ousadias estarão no varal

Já não tenho qualquer pretexto
para ver ou me aproximar
Pouco importa se está no contexto
simplesmente esquecer de lembrar

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

qualquer dia

Visite o que fomos
Primaveras, outonos
Descobertas a céu aberto
Jardins em pleno deserto

Incite o que somos
Abandone abandonos
Descubra que não é errado nem certo
Basta sentir-me por perto

domingo, 21 de novembro de 2010

sem legenda

Se no coração há neve, never
Lembrança esquecida
Mas se deve, é dever
A vida revida

Se perde de vista, reinvista
Fotografia sem grafia
Mas se quiser mesmo, persista
Desafinado desafia

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

(agri) cultura

Plantem pés de oportunidade
Perto do mar, longe do asfalto
Que seus frutos cresçam, com vontade
E sejam distribuídos, sem sobressalto

Observem os poderes do produto
Sem contraindicações e barato
Vazios  ficarão os vãos do viaduto
Além de arroz e feijão, esperança no prato

terça-feira, 16 de novembro de 2010

um dia qualquer

Vento dobrando esquinas
Blues multiplicando azuis
Gaivotas brincando, feito meninas
Um vago sorriso, que intuis

Imagens misturadas à poeira
Estrada que engole o horizonte
Desejo que se come pela beira
Água que escorre pela fronte

Pedaço de qualquer coisa pelos ares
Datas espalhadas pelas malas
Labirintos transformados em lares
E um silêncio persistente que não calas

Luzes que renascem pouco a pouco
Cera que escorre pela vela
A dança do destino, feito louco
Créditos derramados sobre a tela

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

no more

Não esconda. Onda!
Não reprima. Rima!
Não reclame. Ame!

Mais que perdoe. Doe!
Mais que junte. Unte!
Mais que procrie. Crie!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

les questions

Culpa? Não me serve para nada
Ciúme? É como o carro tentar possuir a estrada
Maldade? O sofrimento que se reparte
Saudade? Quando o desejo é só metade

Dor? O grito do corpo e da alma
Medo? Quando a ansiedade perde a calma
Fuga? Correr levando junto
Mágoa? O vazio cavando fundo

Vida? Não existe nada melhor
Morte? Se for em vida, é bem pior
Indiferença? O coração sem cor
Amor? O melhor de tudo, seja lá como for