sexta-feira, 12 de outubro de 2012

esquecimento

O amor esmoreceu

quando você esqueceu

que o amor é seu

Mentalizando

Comenta somente a cura
Amamenta a liberdade dessa doce loucura
Sedimenta dia e noite a vontade
Alimenta a sede, para saciá-la mais tarde
Apimenta o sorriso indeciso
Atormenta a monotonia, sempre que for preciso
Experimenta a sensação de chegar ao topo, num salto
Aumenta o volume e sonha bem alto
Fragmenta os fantasmas, até que desapareçam
Suplementa as fantasias, para que aconteçam



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

equilíbrio desengonçado

Na matemática existencial, um mais um nem sempre é igual a dois.
Se os dois se fundirem e se confundirem num nó, o resultado será apenas mais um...
Mais um casal casual, usual, igual a todo aquele que se transforma em "cl", por ter perdido a asa.
Essa soma há de ser ímpar, inconfundível, invisível aos olhos nus da bula.
Asas, longas asas para quem almeja a burla das receitas prontas, dessas que não quero provar.
Cada qual traz consigo inacreditáveis coleções de si mesmo, em edições extraordinárias.
Variáveis espetaculares de uma só identidade que assim escapa da atrofia.
Somos tantas e nem sempre santas entidades, não conhecemos nem a metade do que nos habita.
Ora infantilizados pelo desamparo que parece navegar em nossas veias.
Ora adultecidos  pelo despreparo que parece nos despregar de nossas teias.
Somos todos malabaristas amadores, amamos as dores que tentamos curar.
Percorremos nossos caminhos num equilíbrio desengonçado.
Chega a ser engraçado e feliz daquele que consegue gargalhar.


travessura

Decifra meus silêncios amotinados, 
estrategicamente amontoados, 
entoados pelo sopro de sobrevivência

Desconfia dos sentidos,
guarde-os numa cesta
Afia o sexto,
desafiando a contradição

Imprima teus sonhos
na palma do teu olhar
Lamberei a esperança furtiva
antes que ela caia
Que minha travessura caiba 
no teu próximo despertar



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A tela

Do marasmo só quero o mar

Minha retina torce o nariz para a rotina


torcendo para ela se mandar


Eu me amarro na sensualidade elegante


A luz da vela revelando a tela só por um instante

Vertigem


E se o destino for mudo?
Não será nenhum desatino interpretar seus sinais.
Ele pode ser mudo e eu posso mudar, me dar outras portas, para abrir e fechar.
Não farei dele meu escudo.
Escuto a voz das estrelas mais remotas, viajo por corredores de luz.
Todos os dias dou uma volta ao mundo, no modo avião.
Faço escalas nas escolas sem muros, aprendo futuros que não sei ensinar.
Desacredito em sina, a vida sequer assina seus manifestos.
Gosto de festas, melhor ainda quando estás.
Minha imaginação esgueira-se pelas frestas da rotina, escapando da guilhotina do marasmo.
Minha retina não faz planos, ela vê o horizonte vertical.
Ver-te é vertigem, da maneira mais natural.


sábado, 6 de outubro de 2012

Magia

As nuvens serão apenas o ponto de partida e a passagem é só de ida.
O destino é mais alto, mas chegaremos lá num salto.
Não há porque temer a altura, lá de cima tudo muda de figura.
Para que desvendar todo o mistério?
Melhor misturar os meus aos teus...
Sério! Mas nem tanto, pra não arrefecer o encanto.
Sem fórmulas, mas com magia. 
Imagina!