Você cola em mim e cala meu frio Eu decolo de ti como o peixe do rio Você me descola da tédio e do medo Eu te decoro com as estrelas que chegam mais cedo
O que falta no real sobra no imaginário Nem todo dia santo está no calendário Nos subterrâneos da mente há um antro de travessuras Quando a sanidade se encolhe, escolhem-se as melhores loucuras
Pai Apenas três letras, como mãe e paz Fácil escrever e nem tão simples ser Pai de paixão, de dar e receber chão Pai para rolar de rir no colchão Pai de compaixão, que faz companhia, que dá a mão Pai capaz de ser tão jovem e, por isso, tão filho Pai sem idade, mas com uma baita vaidade de ter você como filho(a) Pai que pode até brigar, mas que sabe brincar, sem perder o juízo
Papai, som que escuto e não digo Cordão que se rompeu não só no umbigo Estranha saudade, que nasceu antes de mim Como se houvesse aroma e cores, mas sem jardim Pai, obrigado pela poesia que me deixaste de herança Hoje entendo que, tanto quanto eu, também eras criança
Por receio de ser tomado por tolo, o homem se repete, ao repetir as tolices cometidas. Por temer o ridículo, o homem engole em seco o lixo do óbvio, vendido com rótulo novo nas melhores drogarias da cidade. Para fugir dos julgamentos alheios, o homem foge de si mesmo, ao condenar à morte, sem contraditório, o estranho que dele se aproximava toda vez que ele ousava usar o espelho.