terça-feira, 7 de dezembro de 2010

à vontade

Diga o que tiver de  dizer
Não se poupe, seria besteira
Siga o vento, não precisa correr
Mas invente, crie, de qualquer maneira

Reverencie a irreverência
Revele a finitude da eternidade
Confidencie a inconsciência
Experimente sua própria vontade

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

escada

És cada degrau que me eleva
És cada grau que me sua
És cada nau que me leva
És carnaval toda nua

És cada pão que alimenta
És cada vão que emoldura
És cada não que atormenta
És cada grão que me cura

sábado, 4 de dezembro de 2010

Deus, sempre novo

Que novidades desejamos para o ano?
Um pouco mais de fraternidade,
um pouco menos de desengano
ou a vida com muita dignidade?

O que será novo em dois mil e onze?
Uma mulher presidente,
ouro virar bronze
ou a mesmice dissidente?

Mudará o que no ano que vem?
Outra obra inaugurada,
a chegada de um neném
ou correr de madrugada?

Que o novo ano seja feliz!
Acredite, que é possível
realizar seu sonho, por um triz,
seguindo pelo caminho invisível

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

será

Dentro do bolso, sinceridade
Fora de si, em torno do sonho
Diante dela, incredulidade
Longe da história, risonho

À flor da pele, emoção
Em águas profundas, serenidade
No inverno da ausência, razão
No verão da constância, intensidade

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

zen pressa

Estou em mim
Respirando meu agora
O início, enfim
Ansiedade, vai embora

Excessos de partida
Gesto compassado
A calma, agradecida,
cochila ao meu lado

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vigília

Beijos esquecidos na própria boca
Remendos de palavras na mão
Delírios de uma alma muito louca
A paz capaz de sentir paixão

Endereços e datas inúteis
Trilhos e filhos sem dono
Motivos e esquecimentos fúteis
Vigília caindo de sono

sagaz

Em minha boca, um cartaz:
cuidado - correnteza!
Repudio o tanto faz
Tripudio da certeza

Fecha a boca, como a noite faz
Mantenha nela somente tuas palavras
Arredia e contumaz
como as fugas que lavras