domingo, 9 de janeiro de 2011

cardápio do dia

Dentre  tantos motivos para ser feliz agora,
destaco um: hoje é domingo!
Portanto, convido-os ao banquete.
Será servida uma salada de manhã,
como entrada, o prato quente será
uma tarde ao molho de sorrisos balsâmicos
e a sobremesa pudim de noite caramelada.
Não haverá guardanapos à mesa, deixemos
que os sabores escorram impunemente.
Bom apetite!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

suposição

Se me pedirem que corra,
socorra
Se te pedirem que vente,
invente
Se me pedirem que morra,
Gomorra
Se te pedirem que enfrente,
em frente
Se me pedirem que maltrate,
trate
Se te pedirem que odeie,
rodeie
Se me pedirem que descarte,
arte
Se te pedirem que ceie,
receie

dois tempos

Haja esperança!
Mas aja
Recorra à calma!
Não corra
Convida a surpresa!
À vida
Despeça-se da angústia!
Não peça
Cansa a preguiça!
Alcança

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

permuta

Quem topa trocar
comemoradas certezas
por memoráveis riscos?
Quem topa trocar
entediantes clarezas
por asteriscos?
Quem topa trocar
insossa rotina
pelo desconcertante?
Quem topa trocar
o restante do tédio
pelo remédio da estante?
Quem topa trocar
o que nunca teve
pelo que esteve distante?

o nome da prosa

Qual o nome
do nó na garganta,
quando a vontade é tanta
e a impossibilidade se agiganta?

Qual o nome
da mão estendida
em direção ao vazio
e a esperança, de antemão,
incompreendida?

Qual o nome
da ruga no lençol,
da fuga que afugentou
as palavras que o lenço
aprisionou?

Qual o nome
da desvairada insensatez,
do que faz errar, sem altivez,
corrompendo o corpo e a alma,
de uma vez?

Qual o nome
do que, apesar de tudo, irradia
a loucura apaixonada
por um só dia e
mais nada?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ortografia da alma

Meus desejos
estão separados
por vírgulas
Eles desejam
orações insubordinadas.
Sem aspas,
exclamam a inquietude
do medo, contido entre
parênteses.

show me

És tantas quantos
tantos sou
Sou tantras, cantos,
quanto soul
És mantras, encantos,
o quanto vou
Show me seus recantos,
enquanto vôo