segunda-feira, 21 de novembro de 2011

never

Sob a neve, um punhado de sonhos.
Sob os sonhos, um punhado de neve.

domingo, 20 de novembro de 2011

as sedes

Quem sabe o meu e o seu calor
se encontrem no meio da rua
Então, a gente sua, sua...
até que sua sede seja toda minha
e eu a beba até que me embriague
e me abrigue em sua loucura...
Insensatez ou cura?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

adorável desencontro

Devolvam-me minhas vertigens, aprendi a equilibrar-me às margens dos abismos.
Renuncio a tanto chão, sou íntimo das exiguidades. Preciso sentir um pouco de
frio, para redescobrir meus melhores abraços. Esqueçam minhas réplicas, elas
não falam por mim. Minha voz é meu delírio, que configura possibilidades
ultrajadas, hostilizadas pela hipocrisia insossa. Visto-me com as circunstâncias
que me visitam, que me incitam a abdicar do pudor babaca, que não desata nem
ata. Escondi-me de mim. Se alguém me encontrar, guarde para si. Ou aguarde,
até que eu caiba em mim.

sábado, 12 de novembro de 2011

a lógica e a mágica

Eu me casei com a lógica cedo demais. Deu no que tinha que dar.
Noites com sol, a pele transpirando idéias e a cuca quase pirando
em odisséias inenarráveis.
Troquei um sorvete pelo desenho de um sorvete, com legenda e
tudo.
Parecia cinema mudo, com as cenas sucedendo-se freneticamente
e a mente mal conseguindo acompanhar.
Separamo-nos, num ato de razão (ou terá sido emoção)?
Sentimos um vazio que parecia impreenchível e fomos tentados a
tentar uma volta.
Mas o simples retorno não seria a melhor solução (mais do mesmo).
As cicatrizes, como boas atrizes, cumpriram muito bem seu papel
e denunciaram o que a memória arrefecida pelo sofrimento recente
esquecera.
Decidimos que cada um ficaria na sua, com endereços diferentes.
Distantes demais para estarem juntos, juntos demais para se separarem.





quarta-feira, 9 de novembro de 2011

avenida

Sou um só, mesmo acompanhado.
De camaleão nada tenho, minha cor não varia, meu sorriso não é amarelo.
Azul em meus olhos apenas quando o céu olha para mim.
Carmim é meu coração, depositário de utopias desavergonhadas,
imunes ao lendário crepúsculo que o inútil calendário tenta anunciar.
Não faço sala, nem desfilo na ala dos conformados.
Sou banhado por esperanças e não sofro naufrágios.
Nem sempre gosto do que vejo, mas pior seria não ver.
Preservo por absoluto fascínio as linhas da vida, elas acamparam em
meu rosto e sabem tudo de mim.
Sou à flor da pele.
A cara da minha alma é escancarada, não saberia ficar escondida.
É a mais larga avenida em que eu já caminhei.




terça-feira, 8 de novembro de 2011

tarô

Tenho apenas duas crenças
Apoio-me no dito e no feito
Renego a desigualdade, mas acolho as diferenças
Ouço o que disseram e faço do meu jeito

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

novamente

Vi em meus sonhos uma flor de rara beleza
Pétalas macias, tantas cores que nem saberia dizer quantas
Mais estranho é que me sorria e transmitia imensa leveza
Ela me via e depois parecia se fundir com outras tantas

Tudo que é belo também morre
No entanto, permanece o encanto guardado na gente
A saudade é tamanha que até escorre
Mas não deixo que caia, para que nasça novamente

p.s.: aos meus pais, avós, tios e outras flores que cultivo todos os dias, com (c)oração.