sábado, 30 de novembro de 2013

arbitrário

Pensamento arbitrário,
que faz tudo ao contrário,
só pra te provocar.
Será necessário
exercício diário
pra te contrariar.

carne viva

Eu quis muito ser filho.
Até fui, mas só por um fio.
Sobre esse fio eu andei, às vezes devagarinho, outras vezes voando, mas sempre temendo cair.
Não havia rede, nem proteção, a pele toda eriçada, tão distante dos poros, querendo sair.
Em carne viva, dei vivas à carne, que tanta falta me fez.
Um dia, entendi que o melhor banquete só se reconhece na ausência da fome, talvez.
Pai eu quis muito ser.
E sou, mas demorei um pouco para entender.
Foi preciso ouvir mais e melhor meu coração, para me desvencilhar das teias do abandono.
Amo ainda mais meus filhos, por afinal ter conseguido amar o filho que fui, num sonho.

a poesia e a estupidez

A poesia se engasga,
tosse, 
fica pasma, 
tem crise de asma,
em meio a tanta estupidez.
Ela estremece,
se encolhe,
parece que quase se recolhe
e não é por timidez.
A poesia, então, reage,
vira uma leoa, ruge,
convoca todos os versos
e encara o visível e o invisível adversos,
para espantar o fantasma de vez.

âncora

Uma vida ancorada no consumo
faz naufragar o sumo da vida.

sem título

Ainda nos surpreendemos com o que não é surpreendente.
O recorrente insiste em chocar.
Quem sabe por algumas aberrações chocarem-se com o que nos é muito grato.
E essa colisão faz barulho e deixa vítimas, dentre elas a capacidade de acreditar.
Até porque o inacreditável tornou-se figurinha fácil, frequentador assíduo de um cotidiano que não muda, a cada ano.
Malas brancas, malas pretas carregam valores vazios, vadios.
Onde estarão os sadios?
Terão dito "adiós"?
Derramam sobre nossas cabeças baldes de exemplos baldios.
Debalde reclamar, espernear em vão.
Algo em nós aponta para as pontas dos pés e diz: vão!!

sem título

Acredito em coisas, sem as ver
Vejo coisas, sem acreditar

domingo, 20 de outubro de 2013

permanente

Uma varanda e muitos mundos. 
Janelas pequeninas, manhãs ainda meninas.
Borboletas desavisadas desafiam besouros famintos...ainda bem!
A varanda também está faminta de novos olhares, esses lares provisórios
para tudo que é permanente...como a vontade, a criatividade e a gente!!