terça-feira, 17 de dezembro de 2013

de mim

Há sentimentos que, de tão gigantescos, mal cabem no peito. Uma parte deles escorrega do coração e chega às mãos, aos braços, aos olhos, aos dedos que
tateiam, em busca das emissárias mais precisas, que possam traduzir um pouco
dessa multidão de emoções que se acotovelam no território encantado do lado
esquerdo da gente. 
Há sentimentos que chegam a doer, de tão vivos. Eles falam o idioma único do
bem querer incondicional. Tais "querências" exalam o aroma das estrelas, das luas, dos sóis, de tudo quanto é mais autêntico, inconfundível e eternamente eterno.

aos que amo


A vocês, que abrem meus olhos e entregam a eles as maravilhas da paz
A vocês, que fecham meus olhos e me permitem ver-me tão melhor
A vocês, que colorem minha vida, como mais ninguém faz
A vocês, cujas essências eu reconheço e recito de cor

A vocês, eu dedico todas as manhãs e os amanhãs
A vocês, que dão sentido às minhas utopias vãs
A vocês, tudo do pouco que eu juntei
A vocês, que significam tudo que eu mais amei

preferencial

Vamos sair por aí, sem medo de não chegar.
Sem destino, sem tino, com o repentino prazer de voar.
Vamos sair pela frente, sem disfarces, exibindo todas as faces da irreverência.
Íntimos dos becos, dos ecos que às nossas mais deliciosas travessuras dão sempre preferência.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

seda

Eu quero que a chuva caia
e que ela me atraia
até me inundar
Eu quero que o raio parta
para muito longe,
sem querer voltar
Eu quero que o tempo se arraste
e mesmo que não baste,
vou aproveitar
Pois sei que tudo é imensamente frágil
e o pensamento é ágil
para imaginar
E por falar em imensidão,
o meu coração não quer se lotear
Eu olho em toda a direção
e só encontro um ponto sem desapontar
Por todos os meus descaminhos,
enfrentei moinhos
sem os derrotar
Espero que a noite ceda
e a madrugada, feito seda,
possa te enfeitar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

compreensão

Eu me maravilho com o oceano.
Mesmo sabendo que ele guarda afogamentos,
naufrágios, marés, correntezas, perigos.
Por que eu não seria capaz de amar pessoas?
Eu me deslumbro com a noite.
A despeito da escuridão, das sombras,
dos medos imaginários e reais.
Por que eu não seria capaz de me amar?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

locatários

Há coisas que não se explicam. O amor e a dor que sentimos, as manias, as superstições, as intuições. Tudo isso desenha ângulos de nossas almas, o que somos em águas rasas e nas mais profundas. Para que tentar explicar? Poucos entenderiam ou tenderiam a fingir que entendem, só para agradar. Acariciemos nossos avessos, que eles se tornem tão travessos que provoquem boas risadas. Abracemos tudo que reside em nós, nossos insólitos locatários, ao menos uma vez. Sem qualquer critério nem exaustivas racionalizações. Afinal, estamos a passeio e as férias só começaram.

no mesmo lugar

Eu irei lá.
Não por fotografias ou pela grafia da ilusão.
Irei pelas próprias pernas, que se farão quase asas, que serão como casas,
para me salvar das distâncias e das ânsias que brotam de cada escuridão.
Eu irei lá.
Mas sem levar aqui na mochila.
Tentarei estar vazio do que fui e aberto ao que flui, para que isso me encha sem
transbordar, bordando em mim leitos de rio em que poderei repousar.
Eu irei lá.
Livre de mapas e roteiros.
O próprio caminho será como um mosteiro sem paredes, o meu teto e o meu
chão.
Quando chegar lá,
não olharei para trás nem para a frente.
Terei encontrado, finalmente, o princípio e o fim juntos, no mesmo lugar.