sábado, 27 de dezembro de 2014

marimbondos e sapos

Pensamentos e palavras, sobretudo, devem ter lastro em sentimentos. E o que dirige nossas vidas são valores, mas desses que não cabem no bolso nem na carteira. Que ninguém nos ouça, mas gosto mesmo é de sentimentos despudorados, incapazes de usar sobretudo. Preferem enfrentar o frio e persuadi-lo a experimentar seu calor.
Que 2015 não seja apenas o sucessor de 2014. Que não adote temporariamente o sobrenome "novo" por modismo ou tradição. Desejo que ele traga ventos decididos a espanar o que precisa ser espanado.
Melhor cuspir marimbondo que engolir sapo. E temos nos fartado de batráquios bastante indigestos. É hora de dizer a que viemos, por saber que temos missões a cumprir. Para onde iremos? Como disse o poeta, onde houver Sol. Onde não houver roletas (russas ou nacionais), onde o ingresso for como as melhores coisas desta vida, sem preço. Onde todos tenham as mesmas oportunidades. Onde sonhar não pareça babaquice.
Onde ser o que se é não conduza à exclusão. Onde princípios como verdade, ética, respeito à Natureza, gentileza e compaixão libertem-se do dicionário e sejam cultivados dentro e fora dos nossos corações.

desvendar

O que é mais precioso não se compra nem se vende
Para enxergar a beleza, que é de graça, apenas não se vende
Tudo que tem preço pode ser trocado
O que realmente é nosso só pode ser sentido, jamais tocado

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Um em tantos

A vida está grávida de 2015. Que o parto deixe por perto muita imaginação e uma quase interminável disposição para lutar dentro 
e fora do tatame, por tudo aquilo que se ame.
E aqueles que não acreditam em nada? Ora, não acredito nos incrédulos.
Nada é tudo para eles. Para mim, tudo é quase nada: apenas a beira de cada coisa, a besteira preciosa que derrama gargalhadas pelo caminho, o pó da estrada, que não poda a entrada em um novíssimo destino.
No mais, puríssimo desatino. Por isso, não fiquemos em apuros. Basta preencher os furos que pudermos e se nos dermos as mãos e os corações, ouviremos os melhores sons.
Podemos ser sãos, não podemos ser santos. Somos um, apesar de sermos tantos!

off/on

Quero a paz que não decorra da rendição da utopia
Quero a sinceridade que não agrida a gentileza
Quero que o tempo me desfolhe e renove, como faz a ventania
Quero crescer com muitas dúvidas, essa é minha única certeza
Quero colocar o dedo na ferida, em busca da cura
Quero desligar o celular, para recuperar a simplicidade
Quero o amor iluminando minha face mais escura
Quero poder andar sem medo pelas ruas da cidade
Quero transcender o off/on
Quero escrever palavras incandescentes
Quero entender o que é dito quando se cala todo som
Quero provar a existência de tantas lembranças ausentes

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Natal 2014

Felicíssimo Natal a todos. Mas todos mesmo, pouco importando serem ou não serem cristãos. Pois em meu coração Natal é mais que a celebração do nascimento de Jesus. Sinto essa data como uma oportunidade muito especial de pensar em valores que tenho na mais alta conta: humildade, generosidade, altruísmo, companheirismo. Virtudes que continuo tentando, a duras penas, desenvolver em mim. Somos todos alvejados pelo marketing da competição, da ganância, da soberba, do individualismo exacerbado. Não é difícil ceder a algumas das inúmeras e cotidianas tentações da sociedade em que estamos inseridos.Que supervaloriza o espetáculo, que espetaculariza as dores alheias, que incentiva a idolatria a super pessoas, sem esclarecer que elas só existem na imaginação de quem compra essa ideia maluca.
Penso naqueles que não ganharão presentes, nos que não têm teto, nos que desconhecem o tato do afeto, em tantos sonhos deixados ao relento.
Gostaria que pudessem (tomara que possam) sentir o calor da lembrança e o abraço que lhes envio, como talvez quando crianças tenham enviado cartas a Papai Noel que, por descuido ou absoluta impossibilidade, deixou de respondê-las.
Feliz Natal, amigos e amigas que já conheci. Feliz Natal à infinitude de seres que jamais conhecerei, mas que estranhamente intuo que fui, sou ou ainda serei.

cajus, bambus e sonhos

Havia um cajueiro pertinho da minha casa. Os cajus mais vistosos e suculentos estavam sempre nos galhos mais altos. Nada que um bambu não pudesse resolver.
Havia um sonho pertinho da minha casa. A exemplo dos cajus, também estava lá em cima, quase tocando nas nuvens, quase roçando as estrelas.
Eu queria tocar nas nuvens, roçar as estrelas e realizar aquele sonho.
Nenhum bambu seria tão grande, a ponto de trazer o sonho aos meus braços. 
Mas restava a imaginação. E com ela eu conseguia ver o que não estava lá. Vendo, eu sentia. Sentindo, havia.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

memória seletiva

Minha memória é esquisita. Ela só me cutuca para reavivar as coisas boas. Gols marcados por mim ou por outros, que ainda deixam estufada a rede existencial, em que me deito, até que os sonhos me adormeçam e depois eu acorde sorrindo. Ela empina palavras outrora afiadas, no intuito de torná-las aliadas de meus voos fortuitos. Soltas como o vento, a chuva e a imaginação, elas saem por aí, brincando com os fantasmas, até que eles deixem de se assustar com elas.
Minha memória é seletiva. Ela filtra o que nela se infiltra e só permite que passe o que não congestiona a vida. Ela não curte formalidades e prefere esquecer as idades das tolices.
Minha memória se doa, para que em mim não doa o que sabiamente ela perdoa.