quarta-feira, 15 de julho de 2015

na marmita

Se for passar muito tempo fora de casa, leve na marmita suas verdades. Assim, você não correrá o risco de intoxicação com as que são vendidas a quilo, de procedência incerta. Mas cuide de mudar o seu cardápio, de vez em quando. Verdades são produtos perecíveis e, assim sendo, perdem o valor nutritivo e o sabor pela ação do tempo. Consuma com moderação.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Gastronomia para corpo e alma

Quero amor e cardamomo
Se tiver um bom vinho tinto, 
eu tomo
Quero alegria e berinjela
E uma porta escancarada.
no mesmo lugar da janela
Quero cumplicidade e arroz integral
E um punhado de sonhos,
brincando no quintal
Quero bom humor e batata doce
Com o tempero que foi
e mesmo que não fosse
Quero ousadia e nirá
Colhendo os frutos que não via,
mas sempre havia lá
Quero bom senso e pimenta
Pedindo insistentemente ao coração:
aguenta!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

diariamente

As oportunidades são asas muito poderosas. Contudo, é preciso sintonia com elas (oportunidades e asas), para alçar voos e chegar até, no mínimo, as cercanias dos cumes. Mas não se confunda oportunidades com oportunismos. O oportunista apropria-se das asas alheias e segue rastejando, por não saber voar com recursos próprios. 
Gasset, que cito incansavelmente, ensinou-nos que somos nós e nossas circunstâncias. Acontece que a primeira e grande dificuldade está em sermos o que somos. Ou seja, vencermos os cansaços emocionais, jogarmos fora tudo que deve ser eliminado, como preconceitos, hesitações, covardias. Enquanto acreditarmos que o outro é melhor, mais forte, mais influente, mais capaz, isso será verdade (ao menos, para consumo interno). Botar para quebrar é o mantra a ser entoado. Para quebrar algemas, tolices com grife, crenças paralisantes, fobias e outras tantas armadilhas com forte cheiro de naftalina.
Revirar gavetas existenciais, em busca de algo que ficou lá dentro, embaixo de muitas quinquilharias e que pode ser de muita valia para enfrentar e afastar, uma após outra, as mais valias que tentam, a todo custo, colar em nós.
Não somos figurinhas de álbum, para ser trocados por colecionadores, a seu bel prazer. Nascemos para ser livres e para assim sermos devemos compreender que libertação é ato diário e não extraordinário.

domingo, 12 de julho de 2015

achados e perdidos

Há quem se encontre em meio aos perdidos.
Alguns se perdem tentando encontrar.
Há quem se salve, entre mortos e feridos.
Outros matam, tentando se salvar. 

Muitos se perdem, por ficarem escondidos.
Uns poucos se encontram, por deixarem de achar.
Quase todos acham que devem ser os escolhidos.

Mas como é tão mais fácil ser narina do que ar.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

pernas bambas

Só por hoje e para sempre. 
O desejo desesperado de que aquele dia não acabasse nunca, que a esperança não migrasse da testa para a nuca. Amor ousado, usado e abusado, realmente platônico, a ponto de deixar o próprio amor atônito. A busca desenfreada e brusca, que não cessava nem mesmo ao compreender que o que se queria era a busca e mais nada.
Prazer vendido com outro nome no rótulo, sem atentar para o prazo de validade do produto. Atentados contra a lucidez, pela desconfiança de seus perigos. Tiroteio de pensamentos em meio à poeira do faroeste caboclo. A tentação de salvar nossos filhos,
na mesma encruzilhada dos nossos pais. Tentou chorar e conseguiu. Quem lhe dera, ao menos uma vez...e lhe foi dado, mais de uma. E os dados ainda estão rolando. As possibilidades tantas, tântricas, excêntricas. E as impossibilidades tão redutoras quanto sedutoras. Das duas uma? Que venham ambas, para deixar as pernas da inércia bambas.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

temperos da vida

A gastronomia ensina muito aos relacionamentos humanos. 
Sobretudo, no que tange à noção de medidas. Sal, açúcar, pimenta, frio, morno e quente. Há coisas que o olhar humano não percebe, mas a alma sente. Uma pitada pode e tem significados diferentes, aos ouvidos e às sensibilidades particulares. Todos querem ser chefes, apenas alguns têm o dom dos "chefs". Receitas não podem ser seguidas ao pé da letra, é necessário adaptá-las aos mais diversos paladares.
A entrada deve deixar espaço para o prato quente e este à sobremesa, que deve aguçar a ideia do cafezinho, senha para a saída.
Tanto no âmbito da culinária quanto no trato com as pessoas, o cardápio deve ser variado, sem excessos. O que permite escolhas conscientes. Mas a intuição é essencial, como parceira preferencial da criatividade, que consegue (só ela) juntar na mesma mesa o bom senso e a ousadia - combinação de temperos de dar água na boca, como sempre acontece com todos os encontros que fazem jus ao nome.
Bom apetite!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

sociedade muda

Se a educação sozinha não muda a sociedade, sem educação a sociedade fica sozinha, muda. E a sociedade deseducada e sem voz grita, urra, geme. De que adiantará prender esses gritos, urros e gemidos se, ainda assim, eles serão ouvidos?