segunda-feira, 30 de novembro de 2015

estrelas, poesias e embarcações

Dormi no telhado. Ah, nem foi a primeira vez. Alguns dos meus versos não me acompanharam. Mas a poesia estava ao meu lado.
Estrelas eu me habituei a vê-las. Fascina-me aquele brilho intenso e distante, como velas de um barquinho em que jamais naveguei, segundo a lógica. Como nem sempre ela é minha única inquilina, uma voz marota disse para mim que o mar tem infinitas rotas e
que posso ter viajado naquelas embarcações, sim.
Quando acordei, ainda havia estrelas, poesias e embarcações. Só que estas estavam dentro de mim.

Rios de lama

Mariana, o Brasil e a Terra precisam de Dalai e não de lama.
Precisamos ser focas para manter o equilíbrio, em meio a tantos terremotos que nos fazem balançar. Mas as focas estão sofrendo com fofocas e com o alarmante desprezo pela Natureza. É que para muitos a acumulação, o enriquecimento predatório é algo bastante natural. Rios de lama levam na enxurrada o que encontram pela frente. Depois, a gente olha para trás e como é doloroso não se encontrar mais. Para onde levaram a doçura do Rio Doce? Será que a pena vale?
Onde nadarão os cisnes, nesse oceano de cinismo? Dados viciados por quem cultiva o vício do poder, atirando seus dardos a esmo. E os alvos são de todas as cores. A saída pode até passar por um beco, mas não há quem me faça acreditar em becos sem saída.

a escova e os dentes

Enquanto eu escovava meus dentes, um avião decolou, uma lágrima caiu, um vestido foi eleito, um candidato sucumbiu. Enquanto eu escovava meus dentes, nasceu um filhote de gambá, cujos pais não receberam abraços de um tamanduá e nem por isso deixaram de ficar felizes. Uma carta foi escrita (sim, ainda se escrevem cartas), lembranças foram apagadas, luzes acenderam-se e minha escova de dentes foi guardada.

domingo, 18 de outubro de 2015

Nossa excelência

Muitas vezes, a excelência é nossa e não vossa.

domingo, 4 de outubro de 2015

A venda

O que se vende
vem de si.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Elas ou eu?

Lágrimas caem em meus olhos
E nem sei de onde elas vieram
Às vezes parece que o mundo usa antolhos
Foram elas ou meus olhos que quiseram?
Quando a luz se apaga, eu me acendo e oro
Quase posso ouvir o que as estrelas gritam
Como você sabe, eu nunca choro
Por que será que as nuvens dizem que me imitam?

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

De votos e devotos

Políticos e monges ficam isolados. 
Uns por consequências que os sufocam.
Outros pelas causas que abraçam.