quinta-feira, 10 de março de 2016

No mesmo lugar

Guardamos ódios e amores no mesmo lugar.
É possível confundi-los, na hora de pegar.

O barulho das bruxas

Quanto barulho lá fora!
Meus silêncios ficam encolhidos. Quase não os vejo.
Eles que sempre foram tão discretos. Há tempos, evitam as multidões. Quando palavras acotovelam-se, perdem singularidade.
Quanto barulho lá fora!
Não vejo anjos nem demônios. Então, talvez esteja no céu.
E não deve ser de agora. Cheiro de coisas queimando, sem fumaça. A fogueira foi cuidadosamente preparada. À espera das bruxas. Que sempre esperaram pelo fogo. A única possibilidade de salvação.

Palavras perdidas

Quantas serão as vítimas de palavras perdidas?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Mastros e astros

Transatlântico ou canoa? 
Alguns passageiros acreditam que navegam em navios colossais e, por isso, pouco ou nada temem o mar. Outros (a maioria) estão certos de estar a bordo de pequenas e frágeis canoas e, então, suas noites são repletas de pesadelos de naufrágios. 
Ledo engano de todos, pois o oceano e a embarcação são os mesmos. 
Tanto para os que se seguram nos mastros quanto para os que o fazem nos astros. A viagem aponta para uma uma só direção. Por mais que ventos soprem mais aqui do que acolá, a única diferença é a velocidade do transporte.
Pois desembarcaremos num único porto. Vale lembrar: além das tempestades e turbulências, há paisagens encantadoras no caminho. E tão deslumbrantes sensações que a gente até se esquece da chegada.

O bote

A vida sempre dá o bote.
Só que muitos interpretam mal e correm dela.
O que acontece?
Afogam-se e reclamam da sorte!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Já, mais!

Tanto faz?
Jamais.
Já, mais!
Faça tanto.
Faça tantra.
Faça uma, duas, três.
Faça dez.
Não disfarça.
Faça tudo de uma vez.
Depois até desfaça.
Mas sem desfaçatez.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Etcetera

Viagens, viagens!
Como faz bem viajar, pelo céu, pela terra, pelo mar.
Mas é impossível viajar para fora.
Todas as viagens são por e para dentro.
Lugares, pessoas, músicas, filmes, textos, esculturas, pinturas, teatro...seja lá o que e como for, o certo é que chegaremos sempre ao mesmo lugar: em nós. 
Nossos labirintos indomavelmente secretos, os diletos dialetos de nossos desejos intraduzíveis, que infinitamente tentaremos decifrar.
Viagens, viagens!
Preferencialmente, sem roteiros, sem guias, ignorando mapas, setas...etcetera!