sábado, 5 de março de 2011

uma nota

Guarda em ti o som que ouves, quando tocas em mim.



sexta-feira, 4 de março de 2011

JESSUP ou "Je suis up"

A menina cresceu, de dentro para fora
e de fora para dentro. Para fora, ela foi,
além das fronteiras conhecidas, falar de
cultura distante e disse tanto e tão bem...
O idioma da vida não é mais estrangeiro e
nada fez por dinheiro mas, enriquecida
por tamanho aprendizado, ela aconteceu.
Ondas de arrepios a alma tão jovem deve ter
sentido mas, em seu ouvido, o vento dizia
coisas secretas, as formas mais certas de
encontrar a si mesma, sem correr a esmo.
Desde a primavera, divisava o verão da
conquista, da vitória só vista por quem a
merece.
Foi nos pampas gaúchos, berço do bisavô,
que a bisneta crescida a banca desbancou.
Voz decidida, postura altiva, deu seu recado
à toda comitiva.
A mulher que desponta, no começo da jornada,
volta para casa, desejando a estrada.
O caminho se oferece a quem o descobriu.
O carinho da gente... ela já sentiu.
Num fim de semana, festa e gratidão, no início
da outra, cabeça nas nuvens e pé no chão.


quinta-feira, 3 de março de 2011

vésperas

Adoro vésperas. O que prepara já é o que virá.
Tudo que antecede a festa é festivo, como o apito
do navio e a buzina ritmada do automóvel.
Final de ano é início do próximo, o toque do telefone
soa no timbre da voz que se deseja ouvir. Passos no
corredor são o contraponto da boa espera, que se
dissolve no som da chave na fechadura, que amolece
o coração, escancarando a porta da saudade, já
desfeita, por satisfeita,  feito chuva que acontece,
quando tece trilhas nas vidraças.
O mais encantador do clímax é o clima que o precede,
a euforia que não cede.
Todo dia é véspera.
Colherei cada uma delas e tentarei ser como elas.

F. comme femme

Que a madrugada envolva teu sono
em algodão, como fez com tua pele.
Que a manhã toque em teus olhos com
os lábios dela e deixe neles o brilho de
diamantes e a ternura dos amantes.
E esse aroma inebriante, que provoca
e desperta, quando a vontade aperta
e se torna constante.
Está tão vazia a rua, sem a magia, tão
tua, que transforma o simples em
deslumbramento, iluminando todo o
apartamento com a luz do teu coração.


quarta-feira, 2 de março de 2011

história sem fim

Intrigam-me as certezas! Num mundo povoado por relatividades,
prefiro ficar mudo, diante de afirmações sem prazo de validade.
Há quem se orgulhe de jamais voltar atrás, anos, décadas gestando
as mesmas idéias, ruminando conceitos e preconceitos, tratados
como irmãos de criação. Essa insólita imutabilidade é usada como
impermeabilizante, um escudo protetor contra o movimento, as
nuances, mantendo a gangorra estática, essa é a tática.
A ciência reformula suas teorias, a religião procura acompanhar as
novas tendências dos fiéis, até para mantê-los como tais, os
ciclos da natureza sucedem-se, no clima, nas marés, na flora.
Mas, lá fora, almas engessadas ostentam sua enfadonha previsibilidade,
tentam subjugar desejos, que as deixariam sem o controle de tudo.
Os objetos de desejo estão por toda parte, desafiando, seduzindo
os que desejam não desejar. Mas a resistência é gigantesca.
E sem controlar o externo, o mesmo ocorreria com o que está dentro.
Sabem extamente o que farão, sentirão, com espantosa antecedência,
desprezando qualquer margem de erro. Afinal, sempre foram assim,
não se surpreendem com absolutamente nada, em si mesmos.
Começam a ler o livro pela última página e não chegam ao prefácio.
Não é fácil a saga de quem entra no mar sem querer se molhar.
Já conhecem o final de todas as histórias.
Ou será uma só?

“As convicções são prisões.”
Friedrich Nietzsche

terça-feira, 1 de março de 2011

a predominância do amor

Já fui questionado por escrever, quase exclusivamente,
sobre o amor. Afinal, disseram-me, poderia tratar de
outros assuntos, ser menos pessoal, tocar um universo
maior de pessoas, atrair mais leitores.
Respondi que a poesia preexiste em mim, tem existência
própria, pende sobre minha vida, hipnotizando minha razão e
relevando tudo o que ainda não sei, mas sinto.
É no vai-e-vem desse pêndulo que me movo, renovando meu
encantamento pelo significado sutil das palavras que me são
sopradas, das quais não me aproprio, antes as divido, para
que se multipliquem em outras dimensões humanas.




"Tudo quanto se destina a surtir efeito nos corações,
do coração deve sair." (Goethe)

natureza

Para ti, um abraço com o olhar,
um colar de sorrisos, o primeiro raio
de sol, suave e intenso, convidando ao
novo dia.
Para ti, um caminho de flores, onde
quer que fores, um carinho de estrelas,
quisera vê-las, sempre contigo, deve
ser engraçado perceber que elas brilham
mais quando ao meu lado estás.
Para ti, um vôo de pássaros, desenhando
no ar um poema de liberdade, de amor
à natureza, que te emprestou tanta beleza,
só para eu me encantar.