quinta-feira, 10 de maio de 2012

Alimento

Quero mais que a chama do momento
Quero o chamamento
Quero sentir a alma do alento
Quero sentimento

Quero do coração da paz ouvir os batimentos
Quero arrebatamento
Quero colher da natureza cada um dos elementos
Quero ser meu alimento

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sísmico


... desvendar desse jeito a alma distante...diz tanto, mas tanto que seja a ser...excesso. Grita, berra em mim algo que não me cabe, que não cabe em meu território tão exíguo, um suor que transborda, que deslisa e desliza (com s e z mesmo). Não raras as noites surpreendidas pelo resíduo de dias que teimam em não adiar o sol. Inúmeros os dias incomodados pela lua onipresente, que não se importa com os ruídos da cidade, com os hábitos das pessoas apressadas, em busca do que sequer imaginam. Uma incômoda lacuna que cisma em anunciar-se, em instalar-se em meus arredores, em meus suores.
Também cismo em viver, aliás, é sísmico meu viver, pois há tremores que sacodem todas as perspectivas. Fendas no chão, por onde desaparecem ilusões vencidas, cujo espaço é instantaneamente ocupado por serelepes anseios.
A paciência que os anos me ensinaram é paradoxalmente impaciente. Ela quer, ela deseja, ela arde, cedo ou tarde.
Há constante urgência nos olhares que habitam meus olhos. Será que vem deles o excesso ou sou eu a não ter acesso a esses lugares?

terça-feira, 8 de maio de 2012

sem título

Existir é diferente de viver, 
é se envolver.

É bem mais que resolver questões,
que conviver com senões.


Existir não é conjugar somente os verbos conhecidos,
é criar solenemente outros verbos, sem imperativos.


É imaginar amiúde, compreender que saúde
é de dentro para fora e de fora pra dentro.
É habitar o epicentro do próprio vulcão.


Existir é mostrar a cara, é abrir o peito,
é encontrar um jeito de se fazer melhor.


É saber sem decorar mas, se esquecer,

improvisar de cor.

domingo, 6 de maio de 2012

Nudez

Escuta além do que eu posso ou consigo dizer
A questão é bem  mais do que ser ou não ser

Há palavras secretas em minhas pausas
Remédio para as consequências não cura as causas

Arrebata com o olhar toda a minha roupa
Mostra para mim que a nudez do corpo é pouca, muito pouca.


Uau

Bailarinas, ciganos, andarilhos, 
pensamentos embriagados de vida
passeiam pelo teu olhar
Faíscas de deslumbramento são iscas infalíveis
Invencíveis teus chamados, aclamados pelos meus
Nossos pelos embandeirados como o milharal
tocado pela ventania
E um sentimento indizível
que vinha e que ia
em velocidade alternante,
diante de tudo que a gente sentia.
O teto, o chão, o sim, o não
sentados à mesma mesa
sobre a qual...uau!!
nenhuma certeza...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O Encontro

Percorri maratonas em ziguezague,
mais cansado que sozinho
Nem por isso quero que se apague
o que ficou escrito pelo caminho

Busquei na superfície o que lá não estava
Tinha medo do medo de mergulhar mais fundo
Quanto mais eu corria mais eu ficava
prisioneiro em mim mesmo, num sono profundo

Colecionei troféus que me afastavam da vitória
Olhava para trás em busca de respostas
Acontece que as perguntas se perderam da memória
Questões versus soluções: duelando, sempre opostas

Em algum instante, nem sei quando
percebi estranha transformação
Descobri que algo estava mudando
Era uma seta em outra direção

Provei da paz que imaginara fantasia
Despojei-me de pesos que nunca foram meus
E digo a vocês, com verdadeira alegria:
encontrei-me comigo, graças a Deus !
























terça-feira, 1 de maio de 2012

cidades e necessidades


As feridas mal cicatrizadas das cidades.
As avenidas desarborizadas das saudades.
A janela que tentamos abrir, com o desejo sorrateiro.
Ela, que imaginamos sorrir, pelo ego forasteiro.
O cansaço de aço das impassíveis estruturas.
Os abraços que desfaço como malas em salas escuras.
Amores catalogados em achados e perdidos.
Pedidos multiplicados em tantos cacos, não ouvidos.