Vou para as montanhas!
Ar que quase dói, de tanto ar
Vou subir tão alto, que é quase voar
Asas aos pensamentos,
se acaso vierem comigo
Agasalhos para as emoções,
embora meu peito seja um bom abrigo
Vou para as montanhas!
Seguir as trilhas do talvez
Tocar nas nuvens, como alguém fez
A todos os silêncios fazer companhia
Levar-me aonde eu não mais havia
quinta-feira, 7 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
lado alado
Se a gente pudesse ver o outro lado...
O que não se mostra, talvez nem se conheça,
mas existe, ainda que em mistério. Sério!
Como seria conhecer o que jamais pude
saber? A lágrima no escuro, a jura de amor
pronunciada a sós, o desejo mais atroz.
Se a gente pudesse ver o outro lado...
Uma caixinha guardada a sete chaves, com
tudo aquilo que só tu sabes. A foto recortada,
o guardanapo escrito, a poesia desbotada, um
silêncio aflito.
Se a gente pudesse ver o outro lado...
perceberia o que só se revelou depois.
Mas quando estavas ao meu lado,
o que mais havia, além de nós dois?
O que não se mostra, talvez nem se conheça,
mas existe, ainda que em mistério. Sério!
Como seria conhecer o que jamais pude
saber? A lágrima no escuro, a jura de amor
pronunciada a sós, o desejo mais atroz.
Se a gente pudesse ver o outro lado...
Uma caixinha guardada a sete chaves, com
tudo aquilo que só tu sabes. A foto recortada,
o guardanapo escrito, a poesia desbotada, um
silêncio aflito.
Se a gente pudesse ver o outro lado...
perceberia o que só se revelou depois.
Mas quando estavas ao meu lado,
o que mais havia, além de nós dois?
segunda-feira, 4 de julho de 2011
um tema qualquer
Pediram-me que escrevesse sobre um tema qualquer.
A idéia me remete àqueles olhares que escapam dos
nossos olhos, sem que percebamos. É quando vemos
o que não está diante de nós, mas dentro, guardado
num daqueles compartimentos de acesso restrito.
Ou então a parte final de um sonho, que salta do
mágico universo do inconsciente para o primeiro
instante do despertar. Por alguns segundos, fica
a dúvida: eu estava sonhando? E se não estivesse?
Como iríamos lidar com desejos subterrâneos, que
o sonho realiza em fórmula cifrada, para não ceifar
a possibilidade censurada pela vigília?
O tema qualquer é amplo demais, é a universalidade,
é tanto oxigênio que não se consegue respirar, é mar
revolto, é o mundo envolto não somente em mil, mas
em todas as cogitações.
Ou seja, confesso a impossibilidade de abordar o
qualquer. E ofereço a pergunta: qual quer?
A idéia me remete àqueles olhares que escapam dos
nossos olhos, sem que percebamos. É quando vemos
o que não está diante de nós, mas dentro, guardado
num daqueles compartimentos de acesso restrito.
Ou então a parte final de um sonho, que salta do
mágico universo do inconsciente para o primeiro
instante do despertar. Por alguns segundos, fica
a dúvida: eu estava sonhando? E se não estivesse?
Como iríamos lidar com desejos subterrâneos, que
o sonho realiza em fórmula cifrada, para não ceifar
a possibilidade censurada pela vigília?
O tema qualquer é amplo demais, é a universalidade,
é tanto oxigênio que não se consegue respirar, é mar
revolto, é o mundo envolto não somente em mil, mas
em todas as cogitações.
Ou seja, confesso a impossibilidade de abordar o
qualquer. E ofereço a pergunta: qual quer?
soli(dons)
"...a solidão é fera, a solidão devora, é amiga das horas, prima-irmã do tempo..."
Alceu, ou melhor, à sua consideração uma exposição de espécies do gênero solidão:
- a compartilhada, em que alguém testemunha, silenciosamente, uma lacuna que não
entende e não preenche;
- a eleita, numa ambiência de retiro espiritual, pausa para balanço, em que nos dispomos
a ouvir pura e simplesmente nosso próprio silêncio;
- a eventual, no melhor estilo "pit stop", para reabastecer ou simplesmente calibrar as
idéias, em curto espaço de tempo;
- a propriamente dita, em que toda a impropriedade das ausências lateja mas,
simultaneamente, provoca a falta escancarada que, ao não tocar mais nada,
convoca desejos que transbordam pelos poros, libertando-nos dos porões
da dita solidão.
Alceu, ou melhor, à sua consideração uma exposição de espécies do gênero solidão:
- a compartilhada, em que alguém testemunha, silenciosamente, uma lacuna que não
entende e não preenche;
- a eleita, numa ambiência de retiro espiritual, pausa para balanço, em que nos dispomos
a ouvir pura e simplesmente nosso próprio silêncio;
- a eventual, no melhor estilo "pit stop", para reabastecer ou simplesmente calibrar as
idéias, em curto espaço de tempo;
- a propriamente dita, em que toda a impropriedade das ausências lateja mas,
simultaneamente, provoca a falta escancarada que, ao não tocar mais nada,
convoca desejos que transbordam pelos poros, libertando-nos dos porões
da dita solidão.
domingo, 3 de julho de 2011
ciclos
A vida anda tão rápido que a lágrima de tristeza
é aproveitada pela alegria, antes de cair.
Ladeiras decidem quando sobem e quando descem,
num ritmo bipolar. E lá vamos nós, surpreendidos
pelos instantes, que morrem de rir do nosso despreparo.
Quem correm são os carros ou os motoristas, quem
representa longe dos palcos melhor ou pior que os artistas?
Um grito de gol...será de quem? Será que sorrio ou é melhor
esperar? E de esperas é feita a existência: o sinal fechado, a
porta aberta, a fila que não anda, o relógio que não para...
A angústia que chega sempre atrasada, que a gente tenta afogar
no chuveiro, incendiar com o isqueiro, hipnotizar com o desejo.
E a esperança, essa anciã tão elegante, que insiste em articular
ciladas, para desorganizar o tédio e bagunçar o coreto da
renúncia, pois a melhor pronúncia para ela é o que está dentro
e não fora da janela.
é aproveitada pela alegria, antes de cair.
Ladeiras decidem quando sobem e quando descem,
num ritmo bipolar. E lá vamos nós, surpreendidos
pelos instantes, que morrem de rir do nosso despreparo.
Quem correm são os carros ou os motoristas, quem
representa longe dos palcos melhor ou pior que os artistas?
Um grito de gol...será de quem? Será que sorrio ou é melhor
esperar? E de esperas é feita a existência: o sinal fechado, a
porta aberta, a fila que não anda, o relógio que não para...
A angústia que chega sempre atrasada, que a gente tenta afogar
no chuveiro, incendiar com o isqueiro, hipnotizar com o desejo.
E a esperança, essa anciã tão elegante, que insiste em articular
ciladas, para desorganizar o tédio e bagunçar o coreto da
renúncia, pois a melhor pronúncia para ela é o que está dentro
e não fora da janela.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
causa e efeito
Por sermos ímpares, incomodamos os pares
Por não alugarmos amizades, não vamos a todos os lugares
Por sobra de tempo, emprestamos paciência
Por tua causa, resisti à resistência
Por não alugarmos amizades, não vamos a todos os lugares
Por sobra de tempo, emprestamos paciência
Por tua causa, resisti à resistência
exiguidade
Cresceste tanto em meu querer, que já não cabes em mim.
Não há mais espaço e para que fiques sou eu quem sai mas,
ao sair, eu não me acho.
Tuas palavras soam em minha boca até que ela seque e a vontade
fique rouca.
Esse silêncio que inexiste em meu caminho é o que persigo no
inesperado que adivinho.
Não há mais espaço e para que fiques sou eu quem sai mas,
ao sair, eu não me acho.
Tuas palavras soam em minha boca até que ela seque e a vontade
fique rouca.
Esse silêncio que inexiste em meu caminho é o que persigo no
inesperado que adivinho.
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