quinta-feira, 19 de abril de 2012

para que?

Esquecimento,
cuida bem de nós
Não precisa ficar tão cheio,
mesmo quebrando ao meio
Mantenha um pouco de tudo,
preserve uma parte do conteúdo
para quando estivermos a sós.

Esquecimento,
cuida bem da gente
Faz as pazes com a lembrança,
como sabe fazer uma criança
Não seja tão conservador
Afinal, para que conservar a dor
se há tanta coisa melhor lá na frente?






segunda-feira, 16 de abril de 2012

aterrissagem

Ora,
e esse desejo 
que não evapora
Ora, ora
mesmo que eu durma, 
ele não vai embora
Nem pensar
em brincar de esconde-esconde
Como me ocultar,
se o danado sempre sabe onde?
E não compensa teorizar
Não é na cabeça
que ele vai aterrissar.

sábado, 14 de abril de 2012

Para seguir viagem

O que nos segura?
A dita sanidade
ou a maldita loucura?
O que nos dá chão?
Um vôo longo que nos canse
ou um ninho ao alcance da mão?
O que nos levanta?
Um furacão alucinado
ou o olhar que encanta?
O que vale a pena?
O que leva a paz
ou a paz entrando em cena?
O que nos merece?
A saudade compartilhada
ou aquela que a gente esquece?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

fervo

Fala bem baixinho
que não fala mais
da falta que faz
o meu carinho.
Faz carinha de triste
e cala, pois não mais existe
você perto de mim sozinho.
Presta atenção
em tudo que não presta
e depois me empresta
um pouco de silêncio
para que eu não fale
o que não devo.
Mescla sol e solidão
deixando sempre uma fresta
por onde a luz resvale
sem aquecer demais, senão
eu fervo...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

jiló

Fascina-me o imprevisível, o acontecimento que subverte a agenda,
o fato que ilude o tempo, que dá uma rasteira na monotonia, que
deixa tudo de trás para frente. Encanta-me o que nada tem de
indiferente. O repentino, que me entrega um sorriso de menino,
o atiçante, que eriça a pele, resfriando a espinha e aquecendo a
imaginação. Benditas as lufadas do novo, que retiram as almofadas
e me fazem caminhar de novo. Que me tragam as frases levadas,
soando como trovoadas num céu de brigadeiro. Que cada janeiro
seja dedicado jardineiro, plantando frutos saborosos. Jorrem milésimos
de segundos sobre a criatividade irrefreável, que os transforme em pequenas
eternidades, para onde migrem todas as saudades de múltipla cidadania.
Como ninguém dizia: por mais que seja amargo, é doce gostar de jiló.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

tântrica

Que alma inquieta é essa?
Mesmo sem ser provocada, ela tem pressa.
Que alma inquieta é essa?
Ela transborda, pinta e borda, nem sabe por onde começa.
Que alma inquieta é essa?
Adora uma prosa mas, dependendo do rumo, desconversa.
Que alma inquieta é essa?
Busca sempre a harmonia e, por isso, nunca atravessa.
Que alma inquieta é essa?
Apesar de ser tanta, é tantra, é alma à beça.

sábado, 7 de abril de 2012

como verão

Não recebo para reter,
em espasmos possessivos
Recebo para derreter
pesadelos substantivos
Não concebo mãos lacradas,
que nem para peteca se abrem
Concebo generosidades escancaradas,
mas que no ego não cabem
Envio zilhões de utopias,
sem saber se Quixotes as acolherão
Desvio dos desvãos das melancolias,
por saber que invernos passam, como verão.