quarta-feira, 12 de novembro de 2014

lensóis

Que haja tanto brilho, tanta luz em teu amanhecer que te sintas sob "lensóis" !

terça-feira, 11 de novembro de 2014

à mercê

Junho, escreva de próprio punho
Descreva todas as parábolas
que recaem em você
Junho, fique bem juntinho
Mas não faça burburinho
para que o silêncio fique à mercê

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

o que é direito

Quero ver como se jamais houvesse visto. Com olhos nascituros,
que produzam olhares puros, sem resquícios ou indícios de passado
ou futuro. Quero enxergar no escuro, no furo das evidências. Quero
abster-me de ciências e de penitências, reunir todas as ausências e
transformá-las numa grande festa. Quero ver o que infesta as frestas,
pular o muro do improvável. Descobrirei o olhar inflável, que flutue na
espuma das nuvens e dos mares e rios. Um olhar que derreta os frios,
as rochas, que conduza as tochas ao lugar mais iluminado que já se viu.
Dispenso óculos e lentes, bem como paisagens indolentes que não me
provoquem. Ficarei distante das coisas ocas e olha que não são poucas.
Penso na perspectiva da intuição e que os ventos soprem ao meu
ouvido esquerdo o que é direito. É desse jeito que olharei.

domingo, 9 de novembro de 2014

canetas e caretas

Viva essa gente da pá virada que preenche vácuos de incredulidade com poesia laica. Vivam as mentes transviadas, que curam a poluição dos
rostos desmaiados. Mil vivas à arte mal-comportada, que bagunça os certinhos, acertando-se com as moscas, para que desacatem suas sopas de verdades enferrujadas. Zilhões de vivas às tempestades, para que lavem nossas almas, para que levem todos os grilhões, para que nos livrem das caretas dos caretas e de suas canetas que assassinam a assinatura da liberdade.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

diz quem

Gosto de quem arde, de quem nunca acha tarde
Gosto de quem reparte e não abusa do aparte
Gosto de quem ouve, de quem compra a minha briga e depois pergunta o que houve
Gosto de quem não se conforma, mas não deforma os fatos
Gosto de quem tem café, cafuné e fé no bule
Gosto de quem não tem pressa, de quem diz: peça
Gosto de quem sabe escolher os pecados, de quem não manda recados
Gosto de quem sabe sem cuspir saber, de quem sabe esculpir prazer
Gosto de quem faz a diferença e se desfaz da indiferença
Gosto dos que gostam de gostar, dos que choram vendo Ghost
Gosto afinal de quem está com a vida e não abre, até o final.

escafandristas

Somos sobreviventes. Sobrevivemos principalmente a todas e tantas esperas. Nada é mais longo que esperas. São filas intermináveis de desejos, ora calados, ora colados em nossos ouvidos. Resistimos pela humanidade que existe, em doses variadas e variáveis, em cada um de nós. De quando em quando, precisamos retirar palavras, pensamentos,
olhares e sentimentos contaminados que são espetados em nossas peles. E muitas vezes sequer percebemos. Adormecemos sobre insônias,
amamos ao redor de ódios requentados, acreditamos a despeito de ceticismos requintados, academicamente elaborados.
Sobrevivemos a sucessivos naufrágios, sem perdermos o amor ao mar.
Nossos sonhos, os melhores deles, são escafandristas. Enfrentam pressões inimagináveis, correntezas halterofilistas, pela certeza de que as grandes profundidades escondem os tesouros mais preciosos.
Afinal, atrás da vida só não vai quem já morreu, mesmo que não saiba.

sábado, 1 de novembro de 2014

outra forma

Se a felicidade virasse rotina,
eu a buscaria de outra forma,
sem os vícios e recorrências daquela.
Pois a vida superlativa é sempre repentina
Naturalmente livre, não admite norma
E quem tentar sufocá-la, que aguente a sequela.