quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Original



O enamoramento é o diálogo profundo entre dois silêncios.
Falam apenas os olhares, ligados por algum magnetismo vertiginoso.
Tudo que aconteceu antes perde completamente o sentido.
Os demais sentidos ficam subvertidos: a visão é restrita ao outro rosto e a alguns detalhes periféricos, tudo que se consegue ouvir são os descompassados batimentos do próprio coração, que tateia na obscuridade do desconhecido, em busca do equilíbrio improvável. Outro fato é que o olfato identifica naquele lugar um aroma quase esquecido, parecido com o parto. Apartados do resto do mundo estão aqueles dois seres e seus tatos estatelados pelo frio glacial na espinha vertebral, em choque térmico com o clima tórrido da maçã do rosto, que pede para ser mordida pela boca mais original que qualquer pecado.

4 comentários:

  1. Original, sim, mas não pecado!

    Delicioso!

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir