sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Candy

Candy nasceu quase por acaso.
Olhos claros demais e o que viam era tão escuro...
Mas a curiosidade aproveitou-se de uma distração
do medo e pulou a cerca. Acerca de sua infância,
falaremos depois.
Candy cresceu por descaso.
Corria, todos os dias, para trás e para a frente, de
um jeito tão diferente, que a noite chegou.
Injetava nas veias, tão azuis quanto seus olhos, doses
de "vilã", para entorpecer a heroína que tanto desejava
ter tido, na figura desbotada da mãe.
Candy é mais que um caso.
Deu à luz o que dela não recebeu, recebeu a cruz e nela
não morreu.
Olhos demais, para claros que não conseguiu preencher.
Por medo, pulou a cerca da infância mas, curiosamente,
jamais deixou de ser criança.

14 comentários:

  1. Helcio,que belo poema,que jogo interessante de palavras,quantas metáforas para nos dizer que muitos de nós também deixamos de crescer,a velhice nos toca mesmo que não a queiramos.Gostei muito do que li.Um grande abraço!

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  2. Muito real, assim como a vida.
    Sábias palavras.

    Bjs.

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  3. Bonito, bonito de doer.....

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  4. Olá, Helcio!

    Quantas pessoas que desde cedo tem que abandonar ou pular a infância!
    Maturidade forçada, aprisionando a "criança interior", que cobrará no decorrer dos anos.
    Lindo poema!

    Bjsss

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  5. Oi Helcio

    Em primeiro quero me desculpar pela ausência neste longos dez dias, mas sabe como é voltar ao trabalho, escola, alunos , professores, pais e por aí vai. Chegava cansadona em casa e mal ia tb nos meus blogs, mas estou de volta viu? não esqueci de vc não hehehe.

    Gente, que poesia linda...arrisco a te dizer que é uma das mais belas. parabéns! Coração lindo o teu.

    beijos

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  6. Obrigado pelo carinho imenso de seu comentário, Kekel!

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  7. A criança interior permanece em nós, mesmo que tentemos sufocar sua voz, né, Guimel?
    Abraço carinhoso.

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  8. Agradeço o comentário carinhoso, Walkyria!

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